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Um workaholic não tira férias

Por Rossana Andriola    

Não se engane, não é só o Coelhinho da Páscoa que irá trabalhar neste feriado, seu amigo workaholic também vai. Não, não importa que a empresa não abrirá. Não, não estamos falando de tarefas do trabalho, mas sim de trabalho mental.

Pessoas que são compulsivas pelo trabalho não tiram férias mentais, frequentemente estão encontrando soluções para problemas que ainda não existem ou adiantado um trabalho. Eles otimizam tudo, até o lazer. Para estas pessoas a tarefa de organizar, prever, sistematizar e planejar se estende ao âmbito do lazer, podendo perder a espontaneidade. Relaxar torna-se uma palavra fora do seu vocabulário e pode até ter uma acepção diferente: perder tempo.

Indivíduos com este funcionamento podem ficar facilmente irritados por ter que quebrar seus planejamentos e, por mais que seja uma quebra que possa trazer novidades favoráveis, ficam mais focados no insucesso do planejamento do que nos benefícios daquela mudança. Eles não lidam bem com incertezas e imprevisibilidades e mesmo que estas ocorram de uma maneira positiva, não conseguem enxergar suas vantagens. Logo, há um ciclo de ansiedade incitado pela falha em exercer controle em todos aspectos da situação, o qual aumenta quando se está em uma situação de lazer com mais pessoas, um grupo de amigos e/ou família. Por consequência, o relacionamento interpessoal começa a sofrer com a imposição destes padrões rígidos e preestabelecidos, podendo resultar em um isolamento social.

Enfim torna-se um ciclo autoperpetuador, quanto maior a rigidez de seus comportamentos, maior será o sofrimento com a falta de controle e mais afastados estarão de outras pessoas. Da mesma forma, quanto mais isolado socialmente aumenta a probabilidade de intensificar seus padrões rígidos, retroalimentado essa característica.

Em síntese, a vida destes indivíduos pode se tornar um apanhado de regras que eles mesmos se impõem, mas que não conseguem flexibilizar, resultando em extremo sofrimento. Quando esse funcionamento começa a afetar a sua funcionalidade, seja ela social, profissional ou qualquer outra área, é hora de procurar um tratamento. A Terapia Cognitiva pode ser uma boa escolha para a flexibilização dos pensamentos e comportamentos.