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Sou psicoterapeuta, sou gente também!

Por Milene Petry

A rotina de um psicoterapeuta não é nada monótona. Somos convidados a cada sessão a entrar na vida daqueles que confiam seus conflitos psíquicos à nossa “sábia e infalível” orientação. Aprendemos, desde o início da graduação sobre postura terapêutica, técnicas de entrevista, a importância em não colocarmos nossos valores pessoais nas intervenções, sigilo e outras questões éticas. Para muitos leigos, o psicoterapeuta é colocado num lugar de semi-deus, que é capaz de resolver todos os problemas dos outros e impossível de ter problemas pessoais ou conflitos difíceis de solucionar. Ele não tem outra residência, senão o endereço do consultório.

É inegável que existe uma fantasia quase que irrefutável a cerca de como os profissionais são na sua intimidade. Entretanto, encontrar seu psicoterapeuta no supermercado, com o carrinho cheio de caixas de cerveja, pode colocar essa fantasia em xeque e quebrar o encanto do “terapeuta semi-deus”. Ele não é perfeito! Como podemos confiar nessa pessoa que tem vícios, ciúmes, medos, ansiedades, tristezas como qualquer um de nós? Ou sofrimentos mais graves que os nossos? A resposta é uma só: aceitando que seu psicoterapeuta é humano, suscetível a ter um pai rígido, ou ter sofrido abandono na infância, como qualquer um.

Tornamo-nos psicoterapeutas em uma escolha adulta, por uma profissão. A formação técnica não muda o que somos. Psicoterapeuta também pode ter uma relação conflituosa com a mãe, ser traído pelo cônjuge ou fazer escolhas errôneas. E sabe como ele lida com isso? Faz o mesmo que todo mundo: Psicoterapia, ora! Sabemos e sentimos a importância que temos para nossos pacientes. Assim como os pacientes também são importantes para nós.

A animação ao lado ilustra a parte humana do terapeuta.