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Meu filho não come

Por Alice Bayer Monteiro

Todo dia na hora do almoço ou da janta é um caos. Mãe, pai, irmãos, avós, todos estressados. A criança briga, grita, chora e não come, às vezes só algumas garfadas. Os dias vão passando, e as coisas nunca parecem melhorar. O resultado: crianças mal nutridas e mães exaustas, irritadas, frustradas e desesperadas quando o filho recusa o prato de comida, de novo. E então, problema instalado. Na maioria dos casos a criança come de acordo com o comportamento da mãe / cuidador que o alimenta. E se um dia ele não come e são feitas muitas ofertas para fazê-lo comer, no outro dia isso vai se repetir, a comida passou a ser usada como chantagem ou simplesmente para chamar a atenção.

Podem existir inúmeros motivos para algum dia a criança não querer comer: falta de apetite (anemia, gripe, congestão nasal, pouco tempo de intervalo entre refeições), indisposição, nascimento de dentes, sono, irritação, agitação, ser retirado de uma brincadeira no qual está muito envolvido, dependendo da idade pode ser também frustração por não conseguir comer sozinho e não querer ajuda, e por aí vai…

E como deve ser o comportamento dos pais na hora da refeição?

  • O ambiente deve ser calmo, tranqüilo, sem distrações como televisão, desenhos, celular, computador. As distrações às vezes até perecem funcionar, mas com o tempo acabam atrapalhando. As crianças não prestam atenção no que estão comendo e não aprendem a comer, nem sentem o gosto da comida.

  • O prato deve ser servido com todos os alimentos que foram feitos para a família, inclusive salada. No começo é difícil, eles choram e brigam pedindo para retirar do prato. Não retire! A birra dura por um tempo e depois eles comem. Não quer comer o brócolis? Não tem problema, mas precisa estar no prato. Paciência é fundamental nos primeiros dias!

  • Observe a refeição que é oferecida à essa criança: Está gostosa? É bonita? Parece boa? Eu tenho vontade de comer essa comida? Veja como pode ficar mais atrativa, mais colorida, observe se seu filho gosta mais sequinho ou mais molhadinho, faça desenhos com a salada. Deixe a criança ajudar no preparo.

  • Se o seu filho está brincando ou muito envolvido com alguma atividade, comece a avisar antes. “ – Filho, daqui há 5 minutos estará na hora do jantar!”. Isso já vai preparando a criança e deixando ela segura do que está por acontecer.

  • Não o obrigue a comer! Sentou-se à mesa e deu somente umas garfadas, tudo bem! Guarde o prato, se der fome daqui a meia hora é essa a refeição que deve ser servida. Ou deixe para o próximo horário, daqui há 2 ou 3 horas.

  • Não faça chantagens do tipo: se comer tudo vai ganhar àquele brinquedo, ou poderá comer a sobremesa. As crianças passam a entender que comer não é bom, só a recompensa vale à pena.

  • Dar exemplo é fundamental! As crianças percebem tudo o que acontece na sua volta e sempre tentam imitar o comportamento dos pais.

Quando os pais iniciarem essa mudança de comportamento no horário das refeições com certeza será difícil. Haverá mais brigas, gritos e choros nos primeiros dias. Seja persistente, são apenas alguns dias mais difíceis para que depois o momento das refeições seja prazeroso e tranqüilo para toda a família.