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Outubro Rosa e a reinvenção da autoimagem

Por Milene Petry

O movimento que se iniciou em 1990 nos EUA chegou ao Brasil em 2002 e desde então a mobilização para conscientização sobre o câncer de mama vem aumentando a cada ano. Iniciativas como essa tem sido replicada a outras doenças ou transtornos que precisam ser prevenidos, como o setembro amarelo pela prevenção do suicídio e o novembro azul, pela mobilização contra o câncer de próstata.

A questão da prevenção é fortemente divulgada nestas campanhas, que arrecadam fundos importantes para pesquisa. Os tratamentos, geralmente agressivos, podem impactar aspectos importantes do funcionamento psíquico dos pacientes. Muitos podem apresentar quadros depressivos, que necessitam de acompanhamento. Mas outra questão percebida e pouco discutida fica ao encargo da autoestima e autoimagem após cirurgias mutilatórias e perda de cabelo gerada pela quimioterapia.

Muitas mulheres relacionam sua feminilidade aos cabelos e seios, que sofrem mudanças radicais nos tratamentos. Com isso, os conceitos de beleza são afetados, exigindo que essas mulheres possam se despir de padrões habituais e se voltarem para novos parâmetros de beleza. Da mesma forma, a sociedade também precisa se questionar sobre como encara a aparência das pessoas em tratamento para o câncer. Será que a doença “enfeiou” essas mulheres, ou permitiu que aparecesse outro tipo de beleza? Campanhas como estas podem possibilitar novos olhares sobre o tema.