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Bem me quer ou mal me quer - A escolha conjugal

Por Victória Araújo Duarte

A grande maioria das pessoas almeja ter um relacionamento amoroso adulto e saudável para dividir tristezas e alegrias e compartilhar afeto. Porém já parou para se perguntar o motivo do qual isso não acontece de uma maneira frequente e natural?

Um relacionamento saudável não é aquele em que não há conflitos, mas no qual esses conflitos são manejados pelos dois, onde há uma troca de carinho e afeto e ambas as partes compartilham de objetivos e valores de vida parecidos. Há também uma capacidade de empatia na qual os dois se colocam no lugar um do outro para imaginar o que o outro está sentindo para melhor compreensão da dor e sofrimento.

Muitas vezes não estamos preparados para ter esse tipo de experiência com um parceiro e, assim, desenvolver um relacionamento sólido e estável. Tudo que acreditamos e pensamos a respeito de nós mesmos e dos outros se deve ao desenvolvimento de crenças ao longo da infância e adolescência. A maneira como lidamos com essas crenças no passado determinará a forma que vamos lidar com elas hoje e como vamos nos relacionar com o outro. Por exemplo, uma criança que, durante a infância, não possuía um ambiente seguro no qual podia contar e se amparar em momentos difíceis pode desenvolver uma crença de que ela não é merecedora de afeto e que não tem valor. Assim, por causa do medo intenso de ser abandonada e deixada de lado passa a evitar emocionalmente a aproximação com os pais e pessoas próximas. Na vida adulta ela pode evitar relacionamentos amorosos íntimos com medo de ser abandonada e, apesar de desejar namorar, tem dificuldade em se entregar emocionalmente para o outro.

É possível perceber que essa estratégia de se afastar emocionalmente dos pais foi adaptativa e importante naquele momento para que essa criança sobrevivesse ao ambiente, na medida em que, se ela não fizesse isso, sofreria toda vez em que recorresse aos cuidadores quando necessitasse já que não teria esse amparo. Contudo, essa estratégia passa a ser disfuncional e prejudicial com o passar do tempo na vida adulta, pois o ambiente mudou e ela, como adulta, pode ir atrás de suas necessidades emocionais básicas.

Pode ser difícil dar-se conta dos nossos “pontos cegos” e como fazer para entendê-los e ressignificá-los. Assim a Terapia do Esquema irá auxiliar pessoas a compreender que conjunto de crenças e estratégias que desenvolveram ao longo da vida, além de ajudar a construir relacionamentos mais maduros, saudáveis e duradouros.