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Psicologia medalhista!

Por Milene Petry

Em época de olimpíadas, vemos os atletas de alta performance se superando e proporcionando belos espetáculos ao grande público. O que constatamos, é o resultado do trabalho de 4 anos dos técnicos, preparadores físicos, médicos, nutricionistas e outros profissionais indispensáveis para o melhor desempenho dos atletas. O psicólogo veio a agregar nessa equipe de profissionais recentemente, amparado pelo forte argumento de que o preparo mental é fundamental para que o atleta obtenha o máximo do seu desempenho físico.

Nesta semana, o medalhista olímpico Diego Hypólito agradeceu pelo trabalho de sua psicóloga na conquista do título. É evidente que o atleta apresentou preparo técnico nas competições anteriores, mas, da mesma forma, também ficou evidente a dificuldade do ginasta em lidar com o fracasso. Muito se comentou sobre o despreparo psicológico do atleta nas performances nas duas últimas olimpíadas.

Por outro lado, também pudemos acompanhar o desempenho da seleção brasileira masculina de futebol que, desde a última copa, não vem apresentando resultados condizentes com sua tradição. Coincidência, ou não, o ex-técnico Dunga dispensou e criticou o trabalho do psicólogo na seleção sob a justificativa de que os atletas precisavam treinar e não conversar, pois conversar ele mesmo conversava. Além disso, é notável que o desempenho de alguns grandes jogadores tenha ficado muito aquém dos apresentados em seus times, frustrando os torcedores brasileiros no esporte mais tradicional do país.

Alguns aspectos psicológicos devem ser trabalhados nos atletas, como:

    Aprender a lidar com a ansiedade: existe muita pressão pela busca de um resultado que represente o trabalho de muito tempo, 4 anos no caso das olimpíadas. O erro pode determinar tanto o fracasso momentâneo quanto o final da carreira esportiva.

    Privações e pertencimento: é comum os atletas terem que abdicar da convivência com suas famílias e amigos em prol do bom desempenho. Geralmente os atletas são jovens e não possuem a maturidade necessária para lidar com este afastamento, necessitando, assim, sentir-se pertencente a um grupo que o acolha.

    Motivação: o que motiva os atletas a se superarem? Qual é a recompensa apropriada? A medalha? Patrocínio? Fatores pessoais devem ser considerados, bem como a probabilidade de se chegar a um resultado final satisfatório para que a motivação se mantenha.

    Frustração e Fracasso: A frustração e o fracasso são inerentes a qualquer competição! Mas aceitar isso após longos períodos de preparo não é fácil e pode abalar a motivação. É preciso entender que cada embate é único e não há como controlar todas as variáveis que influenciam no resultado.

O Psicólogo do Esporte desenvolve esse trabalho que ajuda os atletas a compreenderem que o processo de desenvolvimento muitas vezes é mais importante do que se preocupar com o resultado final. A medalha olímpica é a consequência desse processo. Os atletas podem ser vistos de forma idealizada, como se fossem imunes a vulnerabilidades. Entretanto, a verdade é que são humanos e, como qualquer um, precisam conhecer e aprender a lidar com suas emoções.