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Quantas “curtidas” você merece?

Por Kelly Paim

As postagens nas redes sociais já fazem parte da dinâmica das relações interpessoais. As “curtidas” conquistadas servem como uma espécie de elogio virtual que gera sensações agradáveis de satisfação, já que os seres humanos possuem uma necessidade inata de pertencimento e aceitação. A busca por valorização, atenção e validação pode ser atendida imediatamente com formas de respostas virtuais cada vez mais instantâneas. Algumas pesquisas até mesmo já evidenciaram que um circuito neuroquímico de produção de dopamina é estimulado pela interação nas redes sociais, alimentando ainda mais a busca pela obtenção de prazer nas relações on-line (Weinschenk, 2009; Andraessen et al., 2012). MAS QUANDO ISSO PODE SE TORNAR UM PROBLEMA?

A necessidade de curtidas, compartilhamentos excessivos de acontecimentos pessoais e a verificação de acontecimentos na vida dos outros podem fazer parte de um círculo vicioso que faz com que as pessoas fiquem muito tempo vidrados nos celulares, tablets e computadores, gerando até mesmo sintomas de abstinência pela falta de tais aparelhos eletrônicos ou do sinal da internet. A frustração por não obter respostas imediatas, a intolerância a falta de curtidas e o extremo desconforto pelo afastamento das relações virtuais acabam por gerar, em algumas pessoas, sensações muito negativas. Com isso, a exigência desenfreada por respostas virtuais reforçadoras pode alimentar um senso de alienação e não pertencimento.

A extrema procura por aprovação social e a checagem persistente de atividades das publicações dos outros também pode estar mascarando autoconceitos negativos e dificuldades interpessoais. Embora as curtidas possam parecer um “antídoto” imediato para sensações pessoais mais desconfortáveis, o efeito real dos exageros nas redes é de mais ansiedade, tristeza e solidão, já que as vidas virtuais podem se distanciar das vidas e das relações reais.

O caminho da busca pelo autoconhecimento e amor próprio ajuda a melhorar a forma como o indivíduo se relaciona. Ao usar as ferramentas virtuais com limites e permitir que as relações presenciais sejam vividas com mais plenitude, ficará nítida a maior satisfação nos relacionamentos interpessoais e o fortalecimento de crenças de autovalor.

A Terapia Cognitiva-Comportamental visa à mudança de autoconceitos centrais prejudiciais como, por exemplo, de ser inadequado ou inaceitável. Na medida em que o indivíduo muda crenças centrais desadaptativas sobre si, não precisará mais de tantas estratégias de busca de aprovação e conseguirá ter relacionamentos mais genuínos e satisfatórios. A Terapia também ajuda no desenvolvimento de estratégias de automonitoramento e treinamento de assertividade, fortalecendo a autodisciplina e a maior consciência das respostas comportamentais.