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O dia dos namorados e as dores da solidão

Por Kelly Paim

A aproximação da data em que comemoramos o dia dos namorados costuma trazer à tona conflitos internos dolorosos, já que as insatisfações amorosas, geralmente, são gatilhos para ativações de crenças negativas sobre si, desesperança sobre satisfações emocionais e medos profundos acerca da solidão. No período dessa data comemorativa, é comum que expectativas por provas de amor, frustações e sensação de solidão fiquem ainda mais presentes, inclusive reforçadas por um forte apelo comercial.

É compreensível que conseguir um relacionamento amoroso seja um grande objetivo dos seres humanos, pois a função da vinculação é primária e cumpre um objetivo evolucionista de sobrevivência na busca da proteção e reprodução sexual. Bowlby (1984) salienta que a capacidade de um indivíduo estabelecer vínculos afetivos de um tipo adequado é tão importante quanto outras necessidades primárias como, por exemplo, alimentação. Sendo assim, de uma forma totalmente instintiva e nada consciente, a falta de uma relação é processada pelo nosso cérebro primitivo como perigo de morte.

Já Young (1990), autor da Terapia do Esquema, alerta sobre os perigos de colocar em uma relação amorosa expectativas de satisfação completa e “salvação”, já que essa idealização estaria misturada com memórias precoces e sensoriais de frustrações infantis na relação com os cuidadores. O autor também salienta que as escolhas amorosas afoitas por parceiros errados (impulsionadas pelo medo de ficar só) podem ser “ciladas” que acabam por repetir experiências de insatisfação, rejeição, solidão, desamparo, abandono ou abuso.

As relações amorosas podem trazer muitos benefícios para o indivíduo quando conseguem ser satisfatórias e caminhar no sentido das necessidades de vínculo seguro, cuidado, aceitação e pertencimento. Uma visão mais adulta e realista que considere o verdadeiro papel de uma relação amorosa pode diminuir as frustrações e medos relacionados a rejeição, abandono e solidão. Para isso, é importante que a pessoa saiba identificar o que é realmente fundamental em um relacionamento para ela, consiga fazer escolhas de parceiros aptos a trocas afetivas adequadas, procure exigir somente o que é possível obter de uma relação e também consiga ficar bem sem estar em um relacionamento.