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A raiva em tempos políticos conturbados

Por Rossana Andriola

O cenário político brasileiro atual (independente de ideologia e ligações partidárias) tem despertado uma gama de sentimentos negativos na população, dentre eles a raiva. Na mídia especializada frequentemente se tem presenciado situações explosivas em que a raiva toma conta tanto de políticos como de pessoas representativas da sociedade incitando uma reação agressiva progressiva.

A raiva faz parte do repertório emocional humano, porém muitas pessoas a enxergam como um sentimento vilão, o qual não deve ser sentido. No entanto a raiva não é algo essencialmente prejudicial. Em certas situações como sofrer algum dano/prejuízo ou ser vítima de alguma injustiça é esperado que esta emoção surja. Nestes casos sentir raiva é legitimamente congruente com o que está acontecendo, serve como um marcador do desconforto e impulsiona o sujeito a tomar alguma atitude. Portanto, ela estimula que o sujeito faça valer seus direitos, o que é saudável. Infelizmente nem sempre este sentimento é funcional, como podemos ver em algumas reações incitadas pelo momento político do país.

Há muitas formas desadaptativas tanto de sentir raiva como de expressar a mesma. Algumas pessoas apresentam dificuldade em processar as emoções negativas e acabam transformando todos os sentimentos negativos internalizadores, como por exemplo a tristeza, em um sentimento externalizador, a raiva. Há também uma dificuldade na forma de expressar esta emoção, sendo muitas vezes externalizada através de atitudes agressivas. Por muito tempo, teóricos defendiam que a raiva só poderia ser eliminada através de estratégias de extravasamento agressivas, as quais acabavam perpetuando este sentimento e, muitas vezes aumentando a intensidade do mesmo. 

Hoje em dia a Terapia Cognitivo Comportamental oferece técnicas que auxiliam no gerenciamento da raiva, fazendo com que o indivíduo a transforme em algo funcional. Por conseguinte, proporciona uma mudança na estrutura do pensamento e processamento desta emoção facilitando uma atitude mais saudável.

Dentro desta abordagem, a Terapia do Esquema também é uma opção de tratamento, principalmente para casos mais resistentes. Em termos esquemáticos, experiências passadas de abuso (p.ex.), podem ser grandes formadoras de esquemas nos quais esta emoção está intensamente presente. Neste caso o indivíduo apresenta uma dificuldade maior para lidar com este sentimento, sendo indicado que o terapeuta trabalhe essa demanda através da relação terapêutica e de técnicas vivenciais proporcionadas pela Terapia do Esquema.



Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. Terapia do esquemaguia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras.

Caballo, V. Tratamento Cognitivo Comportamental dos Transtornos psicológicos da atualidade.