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Amparo X Limite: As Dificuldades da Parentalidade

Por Kelly Paim

É comum que pais sintam muitas dificuldades emocionais, pois as tarefas parentais trazem à tona muitas inseguranças e medos. Ao se depararem com as demandas dos filhos, os cuidadores podem sentir suas próprias emoções intensas e desconfortáveis, trazendo à tona todas as dificuldades pessoais de lidarem com as suas próprias emoções.

Ninguém fica tão exposto aos defeitos, “pontos cegos” e questões não resolvidas dos pais, quanto a criança que depende deles para sobreviver e devolver seu autoconceito e senso de identidade. Ser pai ou mãe significa ter a responsabilidade de dar aos filhos os recursos emocionais necessários para o desenvolvimento saudável da personalidade. Entre as tarefas mais difíceis estão a necessidade de amparo e a necessidade de limite. Ao longo das experiências como pai ou mãe, as pessoas vão identificando quais são as suas maiores dificuldades nessas funções. Para alguns, lidar com o a necessidade de amparo físico e emocional de uma criança totalmente dependente e hiperdemandante, que precisa dos pais para aprender a viver, é a parte mais difícil. Para outros, a tarefa de dar limites e tolerar a frustração dos filhos acaba por gerar muito desconforto e dificuldades.

Dar amparo não significa fazer todas as vontades, assim como dar limites não significa não ser empático e compreensível. O equilíbrio entre essas duas tarefas é difícil, mas fundamental para o desenvolvimento saudável da criança. Amparar as emoções e dificuldades, assim como ensinar comportamentos adequados que não ultrapassem limites são tarefas complementares. Pais que amparam e mostram o caminho certo estão formando adultos saudáveis.

Como seria um ambiente que proporciona amparo e vínculo seguro para as crianças? Seria um ambiente caloroso, que genuinamente se interessa pela criança, fazendo com que ela se sinta amada e segura através da sensação de conexão, afeto, cuidado, estabilidade, segurança e paciência. Que ajude a criança a não se sentir só e consiga dar suporte para que esta entenda e lide com as suas dificuldades e desconfortos.

Dicas para os pais sustentarem uma relação de amparo com os seus filhos, segundo Paim & Rosa (2016):

  • Expressar afeto, estabelecendo a noção de vínculo seguro com carinho.

  • Validar emocionalmente, conectando-se e mostrando que ela está sendo compreendida.

  • Mostrar interesse e averiguar se suas necessidades de cuidado estão sendo atendidas.

  • Estabelecer na rotina diária um período em que possam ficar juntos, enfatizando a importância de ter esses períodos íntimos com qualidade.

  • Abraçar, acariciar e olhar nos olhos.

  • Demostrar estabilidade emocional.

Agora, como seria um ambiente que também proporciona limite cuidador para as crianças? Seria um ambiente com disciplina dentro das possibilidades de cada idade, que não use a agressividade e abusos para conseguir frear impulsos infantis que precisam ser controlados para o bem-estar da criança e suas relações. Resumidamente, um ambiente que propõe limite afetivo, estabelecendo adequadamente a noção de responsabilidade consigo e com outros indivíduos

Dicas para os pais sustentarem limites adequados para os seus filhos, de acordo com Paim & Rosa (2016):

  • Estabelecer uma rotina definida com disciplina, fazendo com que os filhos se sintam mais estruturados internamente e sejam mais responsáveis com suas atividades.

  • Ao estabelecer o limite, procurar sempre olhar no olho e dar as instruções adequadas à idade, com frases simples e curtas.

  • Usar um tom de voz firme, mas sem gritos e ofensas.

  • Elogiar o cumprimento das regras.

  • Quando possível explicar os motivos das regras.

  • Sempre relacionar os castigos ao comportamento inaceitável.

  • Considerar se as regras e castigos estão adequados para a idade.

É natural que as vulnerabilidades emocionais dos pais dificultem este processo. Pais também sentem e, muitas vezes, precisam de ajuda com as suas próprias emoções. Claro, nenhum pai ou mãe precisa ser perfeito, nem nunca serão, mas é importante fazer o suficiente para que as necessidades emocionais da criança, entre elas amparo e limite, possam ser atendidas.


Paim, K & Rosa M. M. (2016). O papel preventivo da terapia do esquema na infância. In Wainer, R., Paim K., Erdos, R. & Andriola, R. (Eds), Terapia Cognitiva Focada em Esquemas: Integração em Psicoterapia (pp. 205-220). Porto Alegre: Artmed.