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Depressão em idosos

Por Alexandra Bender Nabinger

Assim como ocorre em diversos países do mundo, a população brasileira vem passando por processo de envelhecimento. O número de indivíduos acima de 65 anos aumentou significativamente nas últimas décadas, alterando a expectativa de vida dos brasileiros. No entanto, a expectativa de vida saudável, livre de doenças, não evolui na mesma velocidade. A depressão está entre as principais causas da perda de saúde e baixa qualidade de vida nesta faixa etária.

Aposentadoria, isolamento social, abandono familiar, lutos consecutivos e doença crônica fazem parte dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do quadro depressivo. A interação destas condições com herança genética e com características próprias de personalidade, torna o indivíduo vulnerável ao desenvolvimento da depressão. A sintomatologia depressiva no idoso pode ser atípica, ou seja, diferindo das características comuns do adulto deprimido. O idoso tende a manifestar mais queixas somáticas, como cansaço intenso, diminuição de apetite e peso, sintomas dolorosos inespecíficos, tontura e mal estar geral. Além disto, indivíduos da terceira idade apresentam maior deterioro cognitivo que compreende déficit de atenção e de memória, alteração na orientação e na capacidade de entendimento, o que pode dificultar o diagnóstico.

Apesar da alta prevalência, morbidade e mortalidade dos transtornos depressivos na terceira idade, um considerável número de casos ainda deixa de ser diagnosticado. A identificação da depressão no idoso é complexa e cercada de pré-conceitos. Infelizmente, muitas pessoas ainda consideram este estado de intenso sofrimento como consequência natural do envelhecimento. Desta forma, indivíduos são privados de possibilidade de tratamento e melhora da sua dor psíquica. Atualmente, o avanço da neurociência permite tratar de maneira mais segura e eficaz as síndromes depressivas no idoso. Além disto, o acompanhamento psicoterápico tem grande importância na recuperação deste paciente deprimido, uma vez que, fornece instrumentos para o individuo lidar com seus conflitos.

O caminho para atingir maior qualidade de vida na terceira idade ainda é longo. No entanto, o diagnóstico correto e tratamento adequados devolvem a motivação e esperança fundamentais para esta fase da vida. Além disto, como alguns fatores de riscos mutáveis já foram identificados, pode-se trabalhar com prevenção das síndromes depressivas. Exercício físico, manutenção de atividades familiares e sociais e práticas de estimulação cognitiva podem atuar tanto como fatores de proteção, como terapêutico, fazendo com que o indivíduo, além de viver mais, viva melhor.