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O Poder da Compaixão

Por Kelly Paim

Paul Gilbert utilizou entendimentos do budismo, da psicologia evolutiva e da neurociência afetiva para desenvolver a Terapia Focada na Compaixão, tornando esta abordagem um dos pilares das terapias cognitivas de terceira geração. Os conceitos desta terapia sugerem que o treinamento da mente compassiva é fundamental para a regulação emocional, particularmente para pacientes com pensamentos autocríticos e que sofrem com sentimentos de vergonha. 

Gilbert (2007) propõe que a capacidade de compaixão está ligada as competências decorrentes da evolução da espécie, mais especificadamente no instinto de cuidado parental humano e no sistema de segurança focado na filiação, ou seja, um sistema primário de regulação do afeto dos seres humanos que compreende comportamentos de validação e empatia. Isso envolve a nossa predisposição genética de sentir “segurança” e tranquilidade na presença de interações estáveis, calorosas, seguras e empáticas com os outros. A conexão e segurança de interações estáveis aumentariam a produção de oxitocina e opióides no cérebro, gerando a sensação de relaxamento e bem-estar.

Já a compaixão dirigida a si, surge através da utilização das mesmas competências subjacentes à compaixão para com os outros, através do desenvolvimento de uma preocupação genuína pelo próprio bem-estar (Gilbert & Procter, 2006). A autocompaixão implica estar aberto, atento e sensível ao sofrimento, experienciando sentimentos de cuidado e bondade para consigo. Implica também em tomar uma atitude não julgadora e compreensiva perante a própria experiência, aceitando assim as limitações, imperfeições e dificuldades como parte de uma experiência humana comum. 

Um dos objetivos da Terapia Focada na Compaixão é treinar os pacientes para acessarem e empregarem um sistema de autotranquilização, experimentando o sentimento de compaixão. Em algumas pesquisas, Gilbert e colegas (Gilbert & Irons, 2004; Gilbert & Procter, 2006) verificaram que um aumento das capacidades de autocompaixão estava ligado a uma diminuição de depressão, ansiedade, vergonha, sentimentos de inferioridade e comportamento submisso.