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Obesidade na Infância e Adolescência

Por Alice Bayer Monteiro

Hoje a Organização Mundial da Saúde considera obesidade uma epidemia global. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF, 2003) mostrou prevalência de excesso de peso de 17,9% entre os meninos e 15,4% entre as meninas, mais presente nas regiões Sul e Sudeste. O excesso de peso nos adolescentes brasileiros está crescendo nas mesmas proporções que nos EUA, aonde chega a 30%.

A obesidade é resultante da ação de fatores ambientais (hábitos alimentares, atividade física e condição psicológica) e, às vezes, genéticos. Quando há obeso na família a chance de a criança desenvolver obesidade é muito maior; esse dado é importante para que haja prevenção, e os pais devem estar alerta para esse risco. Essa chance aumentada não é na maioria por descendência genética, mas sim por hábito e comportamento alimentar: a família toda come mal, a criança aprende a comer mal.

Já é comprovada que mais da metade das crianças e adolescentes com excesso de peso manterão essa condição na vida adulta. E o risco de doenças coronarianas é duas vezes maior. E essa estatística é alarmante!

A atividade física está diretamente ligada ao excesso de peso. Na grande maioria dos casos as crianças obesas não realizam exercício físico regular. É importantíssimo atividades semanais, destinar um tempo para a prática de exercício. Futebol, dança, balé, natação, tudo é válido. Além disso, melhorar o estilo de vidas das crianças com brincadeiras mais ativas (bola, bicicleta, esconde-esconde, animais de estimação, caminhadas), faz toda a diferença.

Os padrões alimentares já mudaram: redução do consumo de frutas, verduras e cereais e consequente aumento de “guloseimas”, produtos de padaria, congelados, refrigerantes e sucos artificiais, bem como omissão do café da manhã são as maiores causas do aumento de peso. O resultado disso é uma quantidade aumentada de açúcar e gordura saturada da dieta, com consequente ganho de peso, hipertensão, diabetes, colesterol e triglicerídeos altos.

Nossas crianças vêm comendo mal. E uma criança/adolescente que come com qualidade dificilmente tem excesso de peso.

Dá mais trabalho ir ao supermercado e fazer comida do que pedir uma comida pronta? Dá, claro que dá! Mas é preciso investir um pouquinho mais de tempo na saúde da família. E isso não quer dizer que precisamos fazer dietas rigorosas ou que hajam alimentos proibidos. Comer diferente eventualmente não tem problema. Só é um problema se for todo dia.

Para começar é preciso organização e planejamento. Faça uma lista de supermercado com os suprimentos que serão necessários para a semana (pão, leite, carne, arroz, feijão, salada, fruta) e prepare alimentos com antecedência, pode ficar na geladeira eou congelar. Claro que é melhor preparar na hora, para evitar perdas de nutrientes e todo o resto, mas é melhor comer uma salada já pronta do que não comer. Faça feijão, carnes, molho, congele em porções pequenas e tenha a semana toda uma alimentação balanceada.

Compre somente o necessário. É incoerente ter alimentos “não saudáveis” em casa e dizer para seu filho que ele não pode comer. Quando optarem por comer alguma coisa diferente, compre somente para aquele momento. E muito importante, dê o exemplo!

É possível mudar! Dá um pouco mais de trabalho no início, mas depois isso se tornará rotina e naturalmente tudo vai acontecendo sem que seja necessário tanto esforço.