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Transtorno de Escoriação

Por Alexandra Bender Nabinger

A complexa e delicada relação entre pele e emoção vem despertando cada vez mais interesse da comunidade científica. Já está evidente que diversos transtornos emocionais utilizam a epiderme como meio de expressão dos sentimentos. Ultimamente, vem chamando atenção um comportamento com características semelhantes ao Transtorno Obsessivo Compulsivo, mostrando-se ser mais automático e repetitivo do que a maioria dos distúrbios psicodermatológicos: O Transtorno de Escoriação.

Também chamado de Skin Picking ou Dermatilomania, o Transtorno de Escoriação é caracterizado pela repetição crônica de apertar, coçar, arranhar ou furar a própria pele. Para a maioria das pessoas o hábito de cutucar-se é um comportamento comum e benigno, raramente necessitando algum tipo de tratamento. No entanto, uma pequena parcela desta população envolve-se neste ato de maneira compulsiva com frequência e intensidade suficientes para causar prejuízos compatíveis com um transtorno psiquiátrico. Em outras palavras, quando há sofrimento, dano tecidual visível (formação de feridas) incapacitação, deficiência ou alguma perda de liberdade passa a ser considerado um distúrbio emocional.

O transtorno normalmente inicia com a tentativa de reparar ou suavizar alguma irregularidade cutânea. Não há intenção agressiva. É comum o indivíduo utilizar uma lesão pré-existente como acne, picadas de insetos ou cicatrizes para iniciar este hábito disfuncional. As regiões mais comumente acometidas são as do alcance das mãos como face, membros superiores e tórax. Apesar do sofrimento causado por esta ação, o indivíduo não consegue parar de fazer, podendo ocupar-se deste ato muitas horas por dia. Frequentemente, são desenvolvidos rituais para a manipulação da pele, muito semelhante ao mecanismo da Tricotilomania. Na maioria das vezes, o curso é crônico exibindo aumento da gravidade ao longo dos anos. A prevalência da doença é estimada em 2% da população geral, sendo mais comum nas mulheres.

Raramente, os indivíduos que apresentam este transtorno buscam tratamento psiquiátrico, psicológico ou dermatológico. A resistência, provavelmente, ocorre devido ao constrangimento social, desconhecimento sobre tratamentos viáveis e, até mesmo, a crença de que o comportamento não é prejudicial. A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é a linha de tratamento psicoterápico com maior número de evidência científica para tratamento do Transtorno obsessivo compulsivo. Assim, esta linha psicoterápica vem apresentando bons resultados no tratamento do Transtorno de Escoriação sendo a indicação de tratamento.

Sugestão de leitura complementar: http://bfrb.org/learn-about-bfrbs/skin-picking-disorder