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“Peraí, ainda não está PERFEITO”

Por Victória Araujo Duarte

Já atrasou prazos de entregas no emprego por acreditar que as tarefas que deveria realizar não ficaram boas o suficiente? Brigou com o namorado porque ele não arrumou a cama do jeito que você esperava que ele arrumasse? Deixou de realizar algo que tanto queria com medo de não saber fazer?

Todos nós gostamos de fazer as coisas bem feitas e com qualidade, assim como quando valorizamos o bom trabalho de outra pessoa no emprego, na escola, ou até mesmo em casa. No entanto, quando há grande preocupação em realizar todas as tarefas de uma maneira impecável o tempo todo, torna-se um sofrimento e, em casos mais prejudiciais, o adoecimento.

As exigências do próprio indivíduo somadas a uma sociedade em que cada vez mais a competição e a produtividade são valorizadas, algumas acabam sofrendo, podendo até desenvolver um alto nível de ansiedade e depressão. A esse excesso de demandas internas para atingir um objetivo, às vezes quase que irreal e idealizado, podemos chamar de perfeccionismo. Isso pode causar um prejuízo funcional na vida do indivíduo, podendo atrapalhar ou até comprometer suas relações e o emprego.

Esse perfeccionismo pode estar associado ao que chamamos de Transtorno de Personalidade Obsessivo-compulsivo, comum na cultura ocidental e especialmente entre os homens (American Psychiatric Association, 2000). Assim, a pessoa que sofre deste transtorno, além de ser perfeccionista, pode apresentar rigidez, inflexibilidade de pensamento, indecisão na hora de tomar as decisões, ruminações e dificuldade de entrar em contato com algumas emoções.

Além disso, como uma maneira para tentar lidar com tudo isso, a pessoa se utiliza da procrastinação. Assim ela posterga a realização de uma determinada tarefa para não entrar em contato com aquilo que teme não conseguir dar conta. Essa estratégia muitas vezes confirma algumas crenças que tem de si mesmo como incapacidade e fracasso, pois o resultado pode ser atrasos de prazos, a não conclusão das atividades ou em casos mais extremos a perda de um emprego.

A Terapia Cognitivo-comportamental vai auxiliar o paciente a dar-se conta e entender sobre o funcionamento de sua personalidade e do quanto alguns comportamentos estão diretamente relacionados com o desenvolvimento de crenças que a pessoa teve durante sua vida. A terapia abordará habilidades cognitivas e comportamentais para diminuir a procrastinação e o perfeccionismo e aumentar a flexibilidade cognitiva. Com técnicas e recursos emocionais trabalhará a psicoeducação e regulação das emoções para um maior contato com elas.

Apesar de ser um transtorno da personalidade, com o tratamento adequado a pessoa tende a ter um melhor convívio nas relações interpessoais e uma melhor qualidade de vida, com menos pressões e exigências pessoais.